top of page

Psicóloga Marcella Araújo alerta: falta de escuta agrava crise de saúde mental entre adolescentes

  • contatovilasboas
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

3 em cada dez jovens brasileiros se sentem tristes “sempre” ou “na maioria das vezes”, aponta IBGE


O Brasil tem uma crise silenciosa com seus adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024 e divulgada pelo IBGE em março de 2026, mostram que três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos afirmam se sentir tristes “sempre” ou “na maioria das vezes”. Uma proporção semelhante relatou já ter tido vontade de se machucar propositalmente. O levantamento ouviu 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas em todo o país.


Para a psicóloga Marcella Araújo, especialista em desenvolvimento humano e psicologia histórico-cultural, o problema está mal diagnosticado: o debate sobre adolescência ainda é conduzido a partir do controle do comportamento, não da compreensão das relações.


“Existe uma tentativa constante de corrigir o adolescente sem compreender o que aquele comportamento está comunicando. Muitas vezes, o adulto quer resolver rapidamente o conflito, mas não sustenta a escuta necessária para que o adolescente consiga existir naquela conversa sem se sentir invalidado”, afirma.


O quadro se agrava pelo esgotamento emocional dos próprios adultos. Professores, famílias e profissionais da educação convivem com excesso de demandas, conflitos recorrentes e sensação permanente de urgência, o que faz com que as relações sejam conduzidas quase sempre no modo reativo.


“A escuta não é ausência de limite. Escutar um adolescente não significa concordar com tudo, mas conseguir sustentar uma relação mesmo diante do desconforto e da divergência. O problema é que muitos adultos só conseguem conversar enquanto o adolescente corresponde às expectativas deles”, diz Marcella.


A mesma pesquisa do IBGE aponta que 42,9% dos adolescentes se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% relatam que pensam, sempre ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”. Menos da metade das escolas brasileiras oferece atendimento psicológico, e apenas 34,1% contam com profissional de saúde mental no quadro de funcionários.


Formada em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia, mestre pela Universidade de São Paulo e com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getulio Vargas, Marcella tem trajetória consolidada na psicologia escolar e educacional. Supervisionou equipes responsáveis pelo atendimento de cerca de 200 escolas no Centro-Oeste do país.


Atualmente, ela lidera o projeto “Adultos que Escutam”, iniciativa voltada a psicólogos, assistentes sociais, educadores e famílias que propõe ampliar a compreensão sobre infância, adolescência, vínculo e manejo de situações complexas, sem reduzir o sofrimento a explicações simplificadas ou individualizantes.


“Os adolescentes não precisam apenas de adultos preparados para orientar. Precisam de adultos capazes de sustentar presença, vínculo e escuta mesmo quando as respostas não são simples. É isso que fortalece relações e protege o desenvolvimento”, conclui.


Sobre Marcella Araújo


Psicóloga, pesquisadora e especialista em desenvolvimento humano. Mestre em Psicologia pela USP, com atuação na psicologia histórico-cultural aplicada à escola, à família e à saúde mental de crianças e adolescentes. Criadora do projeto “Adultos que Escutam”. Psicóloga no IF Goiano.

 
 
 

Comentários


 © Caroline Vilas Bôas  2021
Comunicação que Transforma
59.283.469/0001-28

 

bottom of page