top of page

Arquiteta e pesquisadora Inaha Paz propõe olhar racial para Neuroarquitetura no Brasil

  • contatovilasboas
  • há 23 horas
  • 2 min de leitura

Arquiteta alerta para ausência de recorte racial em estudos sobre ambiente construído e bem-estar


A relação entre ambiente construído e saúde mental tem ganhado espaço nas pesquisas científicas nos últimos anos. No campo conhecido como Neuroarquitetura, estudos investigam como luz, ventilação, cores, proporções e organização espacial influenciam emoções, cognição e comportamento. A proposta é compreender como estímulos ambientais impactam o cérebro e, consequentemente, o bem-estar.Apesar dos avanços, a arquiteta e pesquisadora Inaha Paz chama atenção para uma lacuna importante nesse debate: a ausência de recorte racial nas pesquisas e aplicações da área. Para ela, a maior parte dos estudos parte de uma ideia universal de sujeito, desconsiderando como raça, território e desigualdade atravessam a experiência espacial.Inaha Paz é arquiteta e pesquisadora em Afroneuroarquitetura, criadora da metodologia Casa Curativa. Baiana de Catu, radicada em Salvador, atua há 16 anos com projetos de arquitetura, interiores e consultorias voltadas ao bem-estar e ao pertencimento. Atualmente finaliza o MBA em Neuroarquitetura e Design do Bem-Estar Humano.

“Quando afirmamos que o espaço impacta o cérebro e as emoções, precisamos perguntar qual corpo está sendo considerado nesses estudos e em que contexto social ele vive”, afirma.

Pesquisas internacionais apontam que o ambiente influencia processos cognitivos, respostas emocionais e níveis de estresse. Estudos publicados em bases científicas como a ScienceDirect e a PubMed indicam que características ambientais podem afetar qualidade do sono, sensação de segurança, desempenho cognitivo e percepção de conforto. No entanto, esses estudos raramente analisam como fatores históricos e sociais interferem na forma como diferentes grupos vivenciam os espaços.

É a partir dessa lacuna que Inaha desenvolve a Afroneuroarquitetura, campo de pesquisa que articula neurociências, saberes africanos e afrodiaspóricos, pan-africanismo e amefricanidade para investigar como corpos negros e racializados experienciam o habitar em contextos marcados por racismo estrutural e desigualdade territorial.

Segundo a arquiteta, reconhecer essa dimensão não significa segmentar a arquitetura, mas ampliar sua responsabilidade social. “A experiência espacial não é neutra. Corpos que convivem com vigilância constante, exclusão simbólica ou precarização urbana respondem aos ambientes de forma diferente. Ignorar isso compromete a promessa de bem-estar que a Neuroarquitetura propõe.”

O debate dialoga com sua metodologia Casa Curativa, que estrutura projetos a partir de três dimensões integradas: corpo, mente e memória. O método considera conforto físico, equilíbrio emocional e ancestralidade como elementos estruturantes do processo projetual, entendendo que habitar envolve também repertório afetivo e continuidade histórica.

Ao inserir o recorte racial no debate sobre ambiente construído, Inaha posiciona a arquitetura como ferramenta de cuidado, pertencimento e equiparação. Para ela, se o objetivo é promover saúde e bem-estar por meio do espaço, é necessário reconhecer que diferentes corpos carregam experiências distintas de cidade, casa e território.


 
 
 

Comentários


 © Caroline Vilas Bôas  2021
Comunicação que Transforma
59.283.469/0001-28

 

bottom of page